Inverno interior
Há um gesto que a natureza faz no inverno e que nós desaprendemos: recolher.
Quando os dias encurtam, os animais diminuem o ritmo. Muitos dormem. As árvores caducifólias retiram a clorofila das folhas — o verde se desfaz e revela os pigmentos que estavam escondidos: o amarelo, o laranja, o vermelho. A árvore não está morrendo. Está mostrando o que havia por trás da produtividade.
A cronobiologia — ciência que estuda os ritmos biológicos — confirma: o corpo humano também responde à diminuição da luz. A produção de melatonina aumenta. O metabolismo desacelera. Há um convite celular ao recolhimento que confundimos, quase sempre, com preguiça.
Kaká Werá, escritor e educador Guarani, fala de um tempo cíclico onde cada estação tem seu gesto próprio. O inverno é o tempo de olhar para dentro — "tempo de sonhar os sonhos que a primavera vai germinar."
Talvez o cansaço que sentimos nessa época não seja fraqueza. Talvez seja o corpo lembrando o que a cultura esqueceu: que desacelerar é uma forma de inteligência. 🌀
Imagem sugerida: 03_Paisagens_Amplas/NOVA_3.13_floresta_tropical_envolta_nevoa.jpg — floresta envolta em névoa, sensação de recolhimento e quietude invernal
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